Prevenção do Câncer através da dieta

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O que se escolhe para comer ao longo da vida pode ter efeitos profundos na sua saúde, particularmente quando se trata de reduzir o risco de câncer. A doença evolui de danos crônicos à células e tecidos saudáveis ​​que após múltiplos insultos ao sistema imunológico, resulta em transformações malignas. Após a doença instalada, a dieta e nutrientes bioativos desempenham um papel vital na melhoria da resposta do organismo contra o câncer.

Vários mecanismos fisiológicos estão sendo estudados para correlacionar a dieta com a alimentação, como as vias de inflamação, a modulação imunológica, a oxidação, a metilação, vias de apoptose e diferenciação celular, hormônios e microbioma intestinal. Alimentos como avocado e cúrcuma agem na apoptose; frutas vermelhas, resveratrol, chá verde e tomate reduzem o estresse oxidativo, e o brócolis modula hormônios e carcinogênese.

Para otimizar essas funções preventivas de câncer baseadas em biologia de alimentos, é imperativo que os indivíduos tenham uma dieta variada e exposição regular aos alimentos, e em quantidade suficiente.

A Sociedade Americana do Câncer (ACS) coloca como diretrizes: alcançar e manter um peso saudável ao longo da vida, sendo o mais magro possível; praticar atividade física em torno de 150 minutos por semana, limitar alimentos e bebidas com alto teor calórico. É interessante dar ênfase em plantas, consumindo pelo menos 3 porções de frutas todos os dias; evitar os refinados, carnes vermelhas e processadas, bebidas alcoólicas e sal.

Vegetais crucíferos ajudam a prevenir câncer de bexiga, esôfago, coloretal e próstata. Mama e pulmão são beneficiados por alimentos ricos em carotenóides.

A gordura, principalmente a trans, está associada ao aumento do risco de vários tipos de câncer, particularmente tumores sólidos, como mama, colorretal, ovário, vesícula biliar e câncer de próstata. As evidências científicas sugerem relação entre carnes processadas como salsichas, presunto e bacon e aumento do risco de câncer, particularmente câncer colorretal, sendo recomendada  redução no consumo.

Os métodos de preparação podem alterar a biodisponibilidade de compostos bioativos preventivos do câncer, como o aquecimento de isotiocianatos no brócolis, ou a anulação de efeitos saudáveis ​​ao fritar as cebolas. A ingestão de frutas na forma de sucos de frutas, quando consumido em grandes quantidades por indivíduos com resistência à insulina, deixando a insulina circulando em níveis mais altos, o que por sua vez tem maior risco de câncer.

Dietas ricas em nutrientes – incluindo vegetais, frutas e ingestão de fibras; associada a redução da ingestão de gorduras dietéticas e bebidas com alto teor de açúcares simples promovem o controle do peso e consequentemente reduzem o câncer de mama, pancreático, vesícula biliar, colorretal, ovário, cervical, cancros do endométrio e esôfago e mieloma múltiplo – todos relacionados com obesidade.

A obesidade pode alterar a carcinogênese através de uma variedade de mecanismos biológicos incluindo a modulação dos níveis hormonais, a supressão da resposta imune, elevação em citocinas inflamatórias e fatores de crescimento, e contribuindo para a inatividade física. Indivíduos obesos também demonstram apresentam níveis mais elevados de estresse oxidativo.

As recomendações atuais sugerem que o índice de massa corporal (IMC) deve ser mantido entre 18,5 e 24,9 kg / m2. Embora o IMC represente um alvo adequado, os profissionais de saúde também devem considerar estabelecer metas para circunferência da cintura, uma vez que a gordura abdominal, e seu potencial inflamatório, tem relação com o câncer.

Finalizando, é importante citar o papel da microbiota intestinal na redução do risco de câncer. A microbiota intestinal é colonizada por trilhões de microorganismos, principalmente bactérias que geralmente promovem a saúde, aumentam a imunidade e apoiam o tecido linfóide associado ao intestino em integridade e função. Como tal, a microbiota intestinal é particularmente relevante para o papel da dieta no risco de câncer de cólon e reto, e também pode alterar o risco de outros cânceres relacionados à obesidade. O microbioma intestinal pode ser modificável beneficamente por exposições alimentares a alimentos ricos em fibras, pré e probióticos; e por outro lado, a inflamação local que pode ser promovida pelas dietas industrializadas  e o uso de antibióticos pode levar a um microbioma intestinal desfavorável que possa promover câncer.

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